Por uma sociedade do pedal

Belo ensaio que saiu hoje na Gazeta – http://www.gazetadopovo.com.br/vidaecidadania/conteudo.phtml?tl=1&id=1117200&tit=Por-uma-sociedade-do-pedal

Existe uma alternativa simples para resgatar as ruas como um espaço público de convivência. Cidades realmente inteligentes perceberam isso e saíram na frente implantando a bicicleta como modal de transporte urbano. Incentivar o uso das bikes não é algo que exija obras faraônicas ou grandes investimentos, mas sim visão de futuro e boa vontade política.

O modelo existe faz tempo e funciona na Europa e nos Estados Unidos. Ainda assim, bicicleta como meio de transporte não é sonho impossível ou coisa de “Primeiro Mundo”. O que nos faz subdesenvolvidos é justamente a incapacidade de perceber o óbvio: hoje, nada simboliza melhor o conceito de mobilidade urbana sustentável do que a boa e velha magrela.

Percebendo isso, cidades brasileiras como Recife, Blumenau, João Pessoa e Rio de Janeiro integraram as bicicletas ao cotidiano de suas ruas, assim como as vizinhas Buenos Aires e Bogotá. Já Curitiba não tem um prefeito que pedala nem mesmo para ficar bem na foto, enquanto a Câmara Municipal sequer tem um bicicletário em seu estacionamento.

As razões para investir nesse modal são óbvias. Motoristas no sinal buzinam uns aos outros por uma questão de segundos; se cumprimentam mostrando o dedo do meio; e, não raro, acabam se matando quando um carro esbarra no outro.

Mas existe vida além dos limites do para-brisas e da bolha de aço; e quem pedala sabe muito bem disso. Pedalar pelas ruas é viver a cidade e aprender a vê-la de outras maneiras. Quando se cruzam pelas ruas ou ciclovias da cidade, os ciclistas se cumprimentam com um “trim-trim” de campainha, interpretado como incentivo e não insulto. O dedo do meio é trocado pelo polegar para dizer: positivo, somos iguais e compartilhamos do mesmo estilo de vida. São códigos de reconhecimento, como os de uma sociedade secreta, incompreensível e invisível para os profano-motorizados. Uma sugestão: quando estiver parado em um engarrafamento, olhe para os lados e perceba, nós somos ciclistas-livres e estamos por aí, silenciosos, compartilhando as ruas e vivendo a cidade. Se quiser, você também pode fazer parte dessa sociedade do pedal. Mas não espere o convite de um iniciado, simplesmente pegue sua bike e comece a pedalar.

Alexandre Costa Nascimento, repórter e usuário de bicicleta como meio de transporte

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