Porto Alegre responde com arte à brutalidade

Texto de divulgação:

“Após a notícia do atropelamento percorrer o Brasil, cinco escritores indignados dispararam uma convocação por e-mail. Para sua própria surpresa, receberam, num período curtíssimo, dezenas de mensagens, muitas de interessados, muitas outras demonstrando apoio ao projeto. Nos três dias seguintes, vieram os trabalhos, a maioria feita no calor da hora, no fervor da indignação. São esses os trabalhos que compõem a revista.

O fotógrafo Leo Caobelli criou sua obra a partir de uma cópia do e-mail que enviou ao agressor, Sr. Ricardo José Neis. André Dahmer, criador d’Os Malvados, contribuiu com tirinhas conhecidas, que apoiam o uso da bicicleta como meio de transporte. A poeta Lilian Aquinocompôs um poema carregado de uma sensualidade cáustica, que fala à altura do acontecimento. Cauê Ito enviou uma foto de sua viagem ao Japão, de quando comprou uma bike e se perdeu pelas ruas de Kyoto. A escritora Veronica Stigger trouxe duas fotos de sua intervenção chamada “pré-histórias”.

A revista traz poucas unanimidades, a começar pelo fato de que os seus autores não são necessariamente ciclistas. Todavia, têm em comum a solidariedade do luto e do alívio em saber que não foi necessária uma morte para disparar o ato. O atropelamento em Porto Alegre se destacou da massa diária de crimes de trânsito por ter vitimado não um indivíduo, mas um grupo. Contudo, como seria se, ao invés de vinte, um único ciclista fosse atropelado? A fragilidade do ciclista é a fragilidade do artista é a fragilidade humana.

Editada somente com softwares livres, a Revista POA 2502 é licenciada com direitos autorais liberados para uso não comercial, podendo ser copiada e redistribuída na forma em que se encontra.”

A revista está disponível para download neste link. Baixe, leia, distribua e divulgue! :-)

Fonte:  Vá de Bike

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Um comentário sobre “Porto Alegre responde com arte à brutalidade

  1. gi disse:

    —nesse caminho, sinto-me atropelada. difícil respirar o ar tão mal compartilhado…—

    Não sei

    MESMO

    sei que tenho

    MEDO

    sealguémconseguepassardecarroacelerandocomovidroquebrandoemseusolhosegritossoltandoemseusouvidos

    sangue

    etenhoquelerqueomotoristafoiinternadoPORESTRESSEPÓSTRAUMÁTICO

    “Segundo o delegado Rodrigo Garcia, o médico que o atendeu decidiu mantê-lo em observação, pois entende que haveria o risco de suicídio.” http://informegeralitabuna.blogspot.com/2011/03/preso-autor-do-atropelamento-ciclistas.html

    o MEDO que me dá é que reagi a essa informação com vontadedequenãotivessemoimpedido

    VERGONHA. sinto vergonha de ter sido influenciada por tanta barbárie a ponto de pensar positivo sobre o suicídio. ADMITO, tenho vergonha. e passou rápido esse raciocínio.

    Fechei meus olhos e vi dentro de mim, a vontade que tenho de ver o mundo crescer florido, com tudo (bicicleta e carro junto… )

    gostaria de andar mais de bicicleta, mas tenho

    MEDO. e respeito, pq como fujo dos carros, vou na calçada – desculpando e pedindo licença pra não atropelar ninguém.

    cheguei ontem de um festival, com 6 mil pessoas acampando, com muita música, e muitas “drogas” usadas pela maior parte dos participantes. Resultado: brinquei muito com as crianças da família acampada ao meu lado, discuti consumismo com o amigo, compartilhei o que aprendi em outras oficinas, dancei, dormi, cozinhei, e amei, muito, pois era o ar que respirávamos, misturado as fogueiras e som constante…

    e escutei da moça da ambulância (qd minha amiga foi lá tirar o espinho do dedo com uma agulha limpa…)

    “depois dizem que ‘matou, brigou, pq tava drogado’, e aqui é a maior prova. nesta fazenda qd tem o rodeio, tem briga o tempo todo… no psicodália é realmente a melhor prova de que isso é mentira. dá para ver que as pessoas aqui são do bem, que a energia é positiva.” (deixo assim ela resumir isso por mim…)

    viajei muito nesta escrita. não faço apologia nem ao uso de bicicleta nem de droga. uso pouco as duas coisas… pretendo perder o medo de andar de bicicleta na cidade, e continuar diminuindo meu superego sem usar nada externo… mas precisava falar-escrever um pouco…

    nesse caminho, sinto-me atropelada. difícil respirar o ar tão mal compartilhado…

    mas tenho

    ESPERANÇA

    e no que eu puder, acompanharei a massa… crítica…bela… no caminho do bem…

    Curtir

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