Um ótimo resumo histórico e de necessidades da BICICLETADA de Curitiba

– As demandas e movimentações horizontais da sociedade (como a Bicicletada, por exemplo) servem como um “estopim”, mas em si não trazem a mudança necessária sem a ajuda, compreensão e ação dos órgãos governamentais (ir)responsáveis.
– Num primeiro momento, graças UNICAMENTE a atitudes independentes, isoladas, lúdicas, artísticas e apolíticas, a bicicleta começou a ser encarada e considerada pelas poucas cabeças pensantes da cidade como alternativa ao caos urbano provocado pelo sistema falho, ultrapassado e míope de um projeto urbanístico que tem como foco o deslocamento individual (carro) e não as pessoas e sociedade como um todo.
– Graças a esta “massa crítica” que teve seu núcleo principalmente nos encontros espontâneos chamados “Bicicletadas” (e não por incentivo da PMC com suas ciclovias destinadas ao lazer), mais e mais pessoas optaram por utilizar a bicicleta como meio de transporte.
A questão é que CWB chega agora em um ponto crítico. As pessoas que utilizam a bicicleta como meio de transporte já não podem ser ignoradas pelas ruas, calçadovias e canaletas da cidade. Embora os cabeças de planilha do IPPUC e da PMC não consigam enxergar mais do que dois palmos além do insufilme de seus carros oficiais (pagos pelo contribuinte), a inclusão da bicicleta e dos seres humanos no planejamento urbano é urgente.
Basicamente chegamos a um ponto em que, como cidadãos, acabamos numa posição que beira o irresponsável (pois através de nossas ações, discussões e questionamentos estamos incentivando o uso da bicicleta por pessoas que muitas vezes não sabem do perigo envolvido em pedalar em uma cidade que não oferece o mínimo de segurança para o deslocamento dos seres humanos e que privilegia apenas uma parcela da população ao investir em infra-estrutura para o automóvel particular).
Apesar da TOTAL ignorância da PMC em relação ao modal de transporte bicicleta, usar a bicicleta como meio de transporte é possível, mas ainda perigoso para quem o faz. A “massa crítica” e a pressão popular já está chegando ao seu ápice, e somente quando as autoridades enxergarem a bicicleta como solução é que poderemos juntos construir uma cidade mais humana. A infra-estrutura já existe (os milhares de ruas asfaltadas que de acordo com o código de trânsito devem ser compartilhadas com as bicicletas), só falta a PMC pintar algumas baratas e seguras ciclofaixas para garantir a segurança dos que optaram por deixar o carro em casa e fazer com que mais e mais cidadãos sigam o exemplo.
Uma vez tendo as mínimas condições para o deslocamento por bicicleta, imaginemos o efeito que teria o incentivo direto da PMC ao incentivar seus funcionários a utilizarem a bici? Imaginemos o efeito de um programa de conscientização na formação de novos condutores que encarasse a bicicleta como meio legítimo de transporte? Imaginemos um curso de reciclagem para os motoristas de ônibus e caminhões que os ensinasse a “enxergar” a bicicleta na via?
Enfim, até aqui chegamos, mas a partir daqui precisamos de um governo responsável e eficiente como os que nos últimos anos, com a inclusão da bicicleta no paradigma do urbanismo, transformaram cidades como Bogotá, Barcelona, Nova Iorque e Londres.
Saudações,
Gabriel Nogueira